
Claro que ela só queria se divertir, mas de uma forma o primeiro álbum da Cyndi Lauper representa algo ainda maior. Contando com 9 faixas (não incluindo o He’s So Unusual), 6 deles que se tornaram hits, She’s So Unusual foi lançado em um período bem estranho da música pop. Em 1983, a explosão musical que foi o New Wave (quando as bandas simplesmente misturaram todos os gêneros dos anos 70: disco, rock, punk, reggae, etc.) estava dando lugar ao mundo mais corporativista que iria dominar o restante da década, e o mundo pop, que estava sendo dominado por homens andrógenos e mulheres de atitude, seria logo preenchido com imitadores do Michael Jackson, Madonna, Whitney e Prince.
Na verdade, o sucesso estrondoso desses artistas, apesar de tudo, teve um impacto negativo na música: o Pop agora virou indústria, e a renovação liderada por artistas seria substituída por agências e empresários movidos pelo dinheiro (não à toa, os anos 90 foram basicamente uma corrida para ver quem vendia 10, 20, 30 milhões de discos). Mas enfim, voltando à 1983, a MTV ainda era um canal iniciante, pouco levado à sério. O mundo da música ainda não sabia por qual direção seguir e, de repente, boooom, Cyndi Lauper.
Extremamente nova iorquina, Cyndi não era só um resultado do que ocorreu no mundo artístico nos seis anos anteriores, mas também de uma geração que cresceu com a televisão, viu as várias revoluções dos anos 60, e ficaram encantadas com as infinitas possibilidades trazidas pela tecnologia. Não havia dúvidas, Cyndi ERA a cultura pop americana. Estrelas de cinema, desenhos animados, bandas de doo-wop, tudo estava estampado nela.
Os singles
Sei que já está muito clichê, mas não dá pra não citar as duas músicas que estão na sua cabeça enquanto você lê esse texto. Em um só álbum, Lauper lançou duas das 15 músicas mais lembradas dos anos 80: Girls Just Wanna Have Fun e Time After Time. A primeira é uma daquelas canções que estão presas no consciente coletivo de todo mundo. Promovido por um dos melhores videoclipe já lançados, o cover da música original de Robert Hazard (que Cyndi re-imaginou tenho certeza que essa palavra não existe, mas enfim para o ponto de vista feminino) é um daqueles hit chicletes que você quer ouvir e ouvir de novo. Um hino, no sentido exato da palavra.
Já a segunda é uma balada poderosa, daquelas que já criam o clima com as primeiras notas. Escrita pela cantora e blabla, foi outro vídeo tocado à exaustão pela MTV. No primeiro vídeo, Cyndi era uma garota “louquinha”, que assumia sua identidade e, no segundo, ela resulta em solidão. Mas a crença de se manter fiel a si mesmo está presente. Tudo era interligado, até a cena em que Cyndi revela seu cabelo ruivo cortado pela metade, para a decepção do seu namorado e divertimento dos amigos. Sei lá, ainda tem algo nessa cena que me arrepia. Como ela mostra que ser fiel a si mesmo vai, sem sombra de dúvidas, causar retaliação e respostas mal intencionadas. Esse é um assunto sensível pra mim.
Mas as minhas favoritas são When You Were Mine, Money Changes Everything, She Bop e All Through the Night. Três das mencionadas foram covers, mas Cyndi elevou o material para outro nível, com a voz potente e a interpretação que dramatiza cada uma delas de forma espetacular. Já She Bop é um dos poucos hits pop sobre masturbação (feminina, inclusive). O vídeo foi o terceiro lançado por Lauper, o que a estabeleceu como uma das artistas mais importantes do inicio da MTV.





