terça-feira, 22 de abril de 2025

Promising Young Woman, 2020


Finalmente assisti o "Promising Young Woman" (me recuso a dizer o título traduzido de forma totalmente equivocada), um longa de 2020 estrelado por Carey Mulligan. Dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, o filme foi produzido em 2019 e idealizado em 2017, e isso transparece. É um filme bem "pós-Me Too", que foi criticado na época por promover "ódio aos homens". Quatro anos depois, é bem claro que esse filme é inteligente, perspicaz e altamente humano. 

Mesmo podendo caracterizar os grandes vilões do filme (homens) em criaturas abjetas, horrendas, sem nenhum traço de realismo, a obra se nega a fazer isso, optando por expor as fraquezas e sentimentos desses personagens enquanto denuncia os horrores nos quais eles (e todos os homens, e algumas mulheres) participam. Acho que eu deveria contar um pouco da história, mas bem por cima, pois acho que se você, de alguma forma, conseguiu escapar dos detalhes mais sórdidos dele, só assiste e leia o restante do texto depois. Vamos lá

Cassandra (Carey Mulligan) é uma mulher de 30 anos sem muitas perspectivas para o futuro, desde que ela e sua amiga Nina decidiram abandonar o curso de medicina. Ao invés disso, ela passa as noites se fingindo de bêbada em baladas e bares, com a intenção de encontrar homens aproveitadores e ensinar uma ou duas coisinhas sobre consentimento. Ela parece perdida, deprimida e solitária, já que sua amiga Nina (por algum motivo) não parece ter nenhum contato atual com ela, até que se encontra Ryan (Bo Burnham), seu ex-colega de faculdade, que se tornou um pediatra bem sucedido. Os dois desenvolvem uma relação amorosa, mas a ligação de Ryan com outros ex-colegas, que estão envolvidos na situação que provocou a saída de Cassie e Nina da faculdade, pode comprometer o futuro de todo mundo.

SPOILERS

PYW foi vendido como um revenge porn, o que não é. Até a tradução do título do filme, Bela Vingança, faz alusão ao filme Doce Vingança, em que uma mulher sofre violência sexual e decide torturar cada homem envolvido no ato. Qual o público para um filme como esse? Acho que talvez exista uma cartarse em mostrar de forma gráfica e sórdida as torturas pelas quais estupr**ores podem passar, mas o que eleva PYW em relação a esses outros filmes é como mostra que esses atos integram veias pulsantes da sociedade, ligando os homens que realizam esses atos e a sociedade que consente. 

I, Tonya, de 2018

I, Tonya, de 2018, é um desses filmes que mostram como é possível fazer cinema nos tempos modernos. Tanta coisa sobre o estilo dele soa como algo muito do nosso tempo, e mesmo assim, a história consegue ser envolvente para todos os públicos. 

Claro, também foi muita sorte o longa de Craig Gillespie tratar de pessoas que nasceram para serem personagens de filmes. O nível com que conseguem ser abusivos, mentirosos, dissimulados é impressionante, e ainda assim, o filme não julga nenhum deles. Com uma fala da maravilhosa Allison Janney sobre o fato de ter odiado a própria mãe, as ações asquerosas de LaVona podem ser compreendidas, apesar de imperdoáveis.

Jeff, interpretado por Sebastian Stan, praticamente assume o protagonismo do filme durante uns 10 minutos ao mostrar a complexidade de um homem abusivo e totalmente inseguro. Fica bem claro que o ator se aprofundou no personagem, e ficamos com um gostinho de quero mais para entender toda a violência que rompe a imagem de bom moço de Jeff. 

E claro, temos Margot Robbie como Tonya Harding. Não conhecia essa história, mas Tonya parece ter virado a inimiga número 1 de todo o mundo quando sua então amiga, Nancy Harrigan, sofreu um ataque que foi resultado de um plano arquitetado por Jeff, desviado por Shawn (o guarda-costas, interpretado por Paul Walter Hauser, e a pessoa mais fascinante do filme), e com uma participação bem distante de Tonya.

Que Tonya não é inocente nessa história em específico, todo mundo já sabe. Mas infelizmente, a sua pena não foi proporcional ao tamanho de seu envolvimento do ataque, tendo sido banida do mundo da patinação (como ficou claro em uma cena brilhantemente interpretada por Margot).



Promising Young Woman, 2020

Finalmente assisti o "Promising Young Woman" (me recuso a dizer o título traduzido de forma totalmente equivocada), um longa de 20...