Mesmo podendo caracterizar os grandes vilões do filme (homens) em criaturas abjetas, horrendas, sem nenhum traço de realismo, a obra se nega a fazer isso, optando por expor as fraquezas e sentimentos desses personagens enquanto denuncia os horrores nos quais eles (e todos os homens, e algumas mulheres) participam. Acho que eu deveria contar um pouco da história, mas bem por cima, pois acho que se você, de alguma forma, conseguiu escapar dos detalhes mais sórdidos dele, só assiste e leia o restante do texto depois. Vamos lá
Cassandra (Carey Mulligan) é uma mulher de 30 anos sem muitas perspectivas para o futuro, desde que ela e sua amiga Nina decidiram abandonar o curso de medicina. Ao invés disso, ela passa as noites se fingindo de bêbada em baladas e bares, com a intenção de encontrar homens aproveitadores e ensinar uma ou duas coisinhas sobre consentimento. Ela parece perdida, deprimida e solitária, já que sua amiga Nina (por algum motivo) não parece ter nenhum contato atual com ela, até que se encontra Ryan (Bo Burnham), seu ex-colega de faculdade, que se tornou um pediatra bem sucedido. Os dois desenvolvem uma relação amorosa, mas a ligação de Ryan com outros ex-colegas, que estão envolvidos na situação que provocou a saída de Cassie e Nina da faculdade, pode comprometer o futuro de todo mundo.
SPOILERS
PYW foi vendido como um revenge porn, o que não é. Até a tradução do título do filme, Bela Vingança, faz alusão ao filme Doce Vingança, em que uma mulher sofre violência sexual e decide torturar cada homem envolvido no ato. Qual o público para um filme como esse? Acho que talvez exista uma cartarse em mostrar de forma gráfica e sórdida as torturas pelas quais estupr**ores podem passar, mas o que eleva PYW em relação a esses outros filmes é como mostra que esses atos integram veias pulsantes da sociedade, ligando os homens que realizam esses atos e a sociedade que consente.

