sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Cantando na Chuva

*Pelo amor de Deus eu escrevi isso quando estava no 9 ano do fundamental, então dá um desconto aí por favor"

A história se passa em 1927,ano em que será lançado o filme "O Patife Real",estrelado pelo casal (criados pela mídia) mais famoso do cinema,Don Lockwood e Lina Lamont (Gene Kelly e Jean Hagen). Mas nesse mesmo ano,é lançada a obra que mudaria todo o universo cinematográfico,o primeiro filme falado,O Cantor de Jazz,que vira um sucesso e obriga todos os estúdios á cancelarem metade de suas produções e transformarem em um filme falado."O Cavaleiro Galante",próxima produção estrelada por Don e Lina,está nessa lista de filmes.O problema é que,além de ser irritante,Lina tem um sotaque super forte,o que arruinaria sua fama.Até que Cosmo Brown (Donald O'Connor),sugere que Kathy Selden (Debbie Reynolds),o novo amor de Don,duble os diálogos e músicas de Lina,já que vão transformar o filme em um musical.
Não é maravilhoso quando os críticos são humanos? Cantando está na posição #20 na lista da Sight and Sound.Se você pega a lista dos 50 primeiros,vai ver a diferença deste com os outros.Porque Cantando é diversão pura.É aquele remédio para a depressão ou cansaço do dia-dia.É aquele filme que você não se cansa de ver,decora todas as músicas e de repente tentar imitar os passos de Gene,Donald e Debbie.
Algumas pessoas acham bem fácil dizer qual é o melhor musical de todos os tempos.Pra mim é difícil,mas se me perguntassem com certeza citaria este como representante.Meu Deus,os números musicais são soberbos.E sim,até a mais famosa cena do filme é apenas um deles.Além de "Singing' in the rain" que deve ser a cena mais icônica da história do cinema,temos "Make'm Laugh",Good Morning,All I Do Is Dream Of You,Beautiful Girl,Moses Suposes" e mais outras brilhantemente orquestradas.A sequência de Beautiful Girl que o diga,mas só representa um dos momentos de brilho no filme.
Cantado na Chuva é brilhante.Tanto no sentido literal quanto no figurado.Apesar de se destacar como um musical,quando o filme decide parodiar Hollywood,fica muito mais engraçado que várias comédias de hoje em dia (e de antigamente também,claro). Toda essa carga cômica recai sobre Jean Hagen,que apesar de não cantar e dançar,têm a melhor atuação do filme.Sua Lina é o pontinho do filme onde os roteiristas puderam satirizar a hollywood. Como quando Don e ela trocam farpas em uma cena "romântica" das gravações ou treinando como usar o microfone são todas criticas ácidas aos filmes e a publicidade que vendem uma imagem bem diferente da vida real.Tanto que a gente nem se lembra mais que no começo do filme,uma fã,ao assistir O Patife Real,diz:"Ela é tão glamorosa,acho que eu vou me matar".
Nada escapa,tudo é motivo para parodiar.Até na maravilhosa "Make'm Laugh",Donald canta sobre como as comédias tem um apelo ao público muito maior do que aos críticos e cita várias tentativas banais de fazer rir e como elas funcionam comercialmente.Parece familiar?
A direção de arte não fica para trás.Refletindo alegria,o filme usa e abusa das cores. Por isso,a produção tenta dá o máximo de contraste,sempre com os atores usando roupas diferentes e de cores fortes ou mesmo na imagem acima,onde os três caras sentados na mesa usam roupas pretas para contrastar o tom vermelho da sala.
A única sequência que usa um tom mais sombrio é justamente "Singin' in The Rain" justamente para a "chuva" (que na verdade,era água com leite) ficar mais visível.
Mas claro,nem todo mundo ama.Um dos motivos principais é a sequência de balé,que se não me engano,alcança uns 15 minutos ou mais e que é totalmente deslocada da história principal do filme,ou seja,o pesadelo daqueles que não gostam do gênero.Os musicais do final dos anos 40 e no começo dos anos 50,quase todas tem uma ceninha especial que ultrapassa os 10 minutos...e isso não me incomoda nem um pouco.Aliás,a cena "Broadway Rythim Ballet" é uma das melhores do filme.É uma cena desnecessária? é,mas e daí?o que importa,contanto que tudo que está aos seus olhos seja espetacular?
Além de ter colocado no mapa outra grande estrela,Cyd Charisse que um ano depois iria estrelar A Roda da Fortuna com o impagável Fred Astaire.E suas pernas ficaram conhecidas como as mais sexys de hollywood.Na verdade,os censores da época acharam que a cena era muito quente e foi cortada alguns minutos.
Como o maior musical de todos os tempos,naturalmente tem a melhor cena de todos os tempos.Impossível falar de Cantando na Chuva sem mencionar,em uma seção especial,a cena de "Singin'n in the Rain".Só "Somewhere Over The Rainbow" pode pegar seu posto como música mais memorável do cinema,mas "singin'n..." ganha pontos por ter uma performance cheia de energia do sempre maravilhoso Gene Kelly.Soube-se que ele estava com 39° de febre.
Surpreendentemente,Cantando na Chuva não fez tanto sucesso quando lançado.Talvez o público estivesse achando que seria idêntico ao filme anterior de Gene,Sinfonia de Paris,que abocanhou o óscar de Melhor Filme em 1952. As pessoas só souberam o que estavam perdendo quando viram o documentário "That's Enterteiment".Felizmente,hoje é considerado um dos melhores filmes de sempre graças ao Gene Kelly e Stanley Donen,que com sua alegria e criatividade sem limites,criaram uma obra-prima do cinema mundial.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Jejum de Amor

His Girl Friday era para ser a segunda adaptação cinematográfica da peça teatral The Front Page, mantendo a fieldade à primeira. No entanto, em um momento de inspiração, o genial Howard Hawks, diretor do filme, decidiu transformar Hildy Johnson em mulher, resultando na versão mais famosa e uma das mais celebradas comédias da história do cinema.
Hildy Johnson (Rosalind Russel) é uma mulher que, depois de anos trabalhando no The Morning Post, decide largar o jornalismo e se casar com Bruce Baldwin (Ralph Bellamy), um pacato vendedor de pólices. Ela vai à sede do jornal para dizer a Walter Burns (Cary Grant), seu ex-chefe e ex-marido, que não irá voltar ao trabalho, após uma lua de mel desastrosa. Mas Walter não pretende deixa-lá ir, insistindo para que ela escreva a matéria sobre Earl Williams (Jonh Qualen), um presidiário que matou um policial negro fazendo com que parecesse um crime de ódio mas que envolve interesses políticos. Ele sabe que se ela provar do gostinho de ser repórter mais uma vez, não seria capaz de largar o jornal.
Cary Grant já era um astro das comédias antes do filme. Aliás, neste mesmo ano, ele estrelou junto com Katharine Hepburn e James Stewart outro clássico da comédia, Núpcias de Escândalo/The Philadelphia Story. Narcisista, arrogante e charmoso, Walter é o protótipo de um canalha que não mede esforços para conseguir o que quer. Neste caso, uma matéria sensacionalista que choque os leitores. Algumas atitudes são capazes de transformá-lo em vilão, até chantageia imigrantes, mas é impossível resistir com a maravilhosa interpretação de Grant, um mestre desse tipo de personagem. Rosalind Russel faz o par perfeito de Walter, ela dá uma das melhores interpretações da história da comédia. Foi uma tremenda injustiça ela não ter sido indicada ao óscar daquele ano.Russel já tinha aparecido em alguns filmes da MGM mas foi seu papel em As Mulheres(1939) que a tornou famosa como comediante, sem contar que o filme tem estrelas como Joan Crawford, Norma Shearer,Joan Fontaine,Paulette Godard, entre outras grandes atrizes da Era de Ouro. As interpretações dessa dupla mostra a confusão na cabeça dos jornalistas,já que parece que as únicas pessoas que se comportam como gente normal são os “humanos”. Mas no fim eles percebem que não podem viver sem esse desespero, berros, gritos e correria e é isso que faz Walter pensar que pode fazer Hildy ficar,ele nem precisa ficar com ela,basta saber que ela vai ser um dos “homens da imprensa” de novo que ele sabe que ela nunca iria deixar esse trabalho, assim com todos os outros jornalistas.
Jejum de Amor é uma das comédias mais histéricas de todos os tempos. Os personagens estão quase sempre gritando e os diálogos parecem se “atropelarem” tanto que um minuto do filme pode parecer dez de tanta informação que recebemos. Por isso ficamos surpresos que o filme só tem 1h e 28m de duração que mais parecem três horas. As “screwball comedies” não são conhecidas pelo seus finais já que são sempre clichês, mas sim pelo desenvolvimento da história, sempre originais. É esse tipo de maluquice que falta nas comédias românticas de hoje em dia, originalidade.
Quando acaba, nós ficamos cansados pelo tanto de coisa que aconteceu (algumas vezes,o filme beira ao humor negro) mas mesmo assim, ficamos em êxtase pelo ritmo alucinante do filme que nem ao menos nos deixa descansar, sempre pensando em qualquer uma das cenas do filme, já que todas são engraçadas. Mas não é difícil compreender a razão de Jejum de Amor ser considerada uma das melhores comédias de todos os tempos. É inteligente, ágil e EXTREMAMENTE divertido.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Primeira Noite de um Homem

*Pelo amor de Deus eu escrevi isso quando estava no 9 ano do fundamental, então dá um desconto aí por favor"
Em 1967,a geração “sexo,drogas e rock’roll” estava se multiplicando em todo os Estados Unidos.Mas eles não eram apenas isso,também era uma geração que começaram a se questionar sobre os valores impostos pela sociedade que diziam haver apenas um maneira de conviver socialmente:seguir as regras do conservadorismo.Com a contracultura e o movimento Hippie influenciando a música,a moda e a literatura,Hollywood também aderiu ao cinema vanguardista e assim foi criada a Nova Hollywood.
Mike Nichols foi um dos nomes mais importantes para esse novo movimento cinematográfico,ele talvez tenha sido o diretor que inspirou os mais jovens diretores a quebrar a trazer temáticas mais realistas ao cinema.Já era conhecido por Quem Tem medo de Virginia Woolf?(1966),filme que chocou e impressionou a crítica e o público,não só com os palavrões(que nem são tão pesados assim,mas que na época eram consideradas polêmicas) mas principalmente com os diálogos arrasadores e com um clima de desesperança e sofrimento.Mike Nichols pode ser considerado o primeiro diretor da Nova Hollywood.
Em um ano onde Bonnie e Clyde(1967) chocou a audiência com a violência e doses de humor negro (o que não tirou a dramaticidade da trama),Nichols trouxe The Graduate,um filme excepcional para a “comédia dramática” e para o cinema dos anos 70.A sinopse não poderia ser mais politicamente incorreta:Um jovem que acabou de se graduar está indeciso com o futuro e acaba sendo atraído por Mrs.Robinson,uma mulher mais velha,casada e amiga de seus pais,mas a situação foge de controle quando ele se apaixona pela filha dela.
Dustin Hoffman já era um ator conhecido das produções Off-Broadway.No mesmo ano de “A primeira noite…” ele já tinha atuado em seu primeiro filme “Um tigre de Alcova”,um filme que,mesmo hoje,quase ninguém viu.Foi seu Benjamin Braddock que o tornou conhecido e o rendeu uma nomeação ao Óscar.Hoje,é um dos atores mais repeitados do cinema.Já tinha trinta-anos quando fez o personagem principal do longa,e sua diferença de idade com Anne Bancroft,a Mrs.Robinson,era de apenas seis anos.
Benjamin representou uma geração de jovens confusos e preocupados com o futuro que estavam buscando, desesperadamente algo que os desse prazer,nem que seja por uma noite.Mrs.Robinson representou a sociedade hipócrita que cobria qualquer coisa que não parecia certo socialmente,e que assim como a geração de Benjamin,buscava algo que a desse prazer.
Apesar de ser uma comédia romântica,o que traz o drama ao filme é a crueza com que tudo acontece.Apesar do titulo brasileiro,o filme não é sobre sexo (apesar deste ter um papel fundamental na trama) e sim sobre incertezas.Começa sobre as incertezas profissional de Benjamin,o que ele iria fazer depois da faculdade?E termina com a incerteza pessoal.
Daí que vem a crueza do filme,mesmo em sua cena final,que começa com Elaine e Benjamin correndo ao ônibus cheios de alegria,o filme termina com seu olhares incertos e preocupados com o futuro enquanto a canção “the sounds of silence”(os sons do silêncio) toca nos fazendo questionar até mesmo o futuro daquele casal.
Por seu roteiro ousado,valor histórico,atuações excelente de todo o elenco e principalmente por ser divertido e tocante na mesma medida,A Primeira Noite de um Homem se estabelece com uma pequena obra-prima do cinema que ,ainda hoje,faz refletir e divertir.

Promising Young Woman, 2020

Finalmente assisti o "Promising Young Woman" (me recuso a dizer o título traduzido de forma totalmente equivocada), um longa de 20...