domingo, 5 de junho de 2022

Queerness and Reputation

Reputation (2017) is, undoubtedly, Taylor Swift's most controversial record. Many consider it to be her weakest, with the reception at the time being, as I recall, mostly negative. Yes, there were some people who really listened to the album and gave it a try with an open mind, but the general opinion was that she was trying too hard to be a "pop girl". With 1989, Swift still maintained some of her nice girl persona, dancing awkwardly on the Shake it Off video and being as desexualized as a female artist in the 10s could be. But when she appeared in the Look What You Made Me Do video dancing with gay men, on a top, being "shady" and selling a bad girl image, the audience was not satisfied. Damn, I wasn't satisfied. 


I have been a queer fan of Taylor since I saw a live performance of Should've Said No, probably in 2009. The first era I remember going with her was Speak Now (which is very queer as well, and I may talk about that later), so Taylor was, for me, the imaginative princess of fairytales, keeping fantasy and dreams alive in pop music. LWYMMD was soo not that. It offended me at first because Taylor had committed the terrible crime of acting like any other singer from that era (although, of course, I was also fascinated by the music video, which was A MOMENT). But the more the Reputation era went on, the album just seemed to live in a very short span, with the subsequent singles not living up to the hype of the first video, and the lack of promotion didn't help. Enter the queerness of this album and why it's so important for Taylor's queer fans. 


Reputation is about the realisation you're going to be a disappointment to other people and what you're going to do about that. It's about being victimized and blamed for it, and having your moral values questioned after constant vilification, to the point you're going to question it yourself. And how is that not relatable to a section of the population that suffers from bullying, psychological abuse and physical violence, but is still perceived as the devil? The feelings of betrayal and flirting with your "bad" side is very relatable to me, because when you go through that, you start to be in contempt towards society and people in general. I've seen this behavior in many gay people, and some of them may not even notice. We grow up cold because we think that's the only way for us not to get hurt. No, seriously, gay people need therapy.But there is salvation in Reputation. 


It is also about finding something real behind all that. And that thing is only coming forward when we stop submitting ourselves to society's expectations. That's what Taylor learned and that's what we, queer people, need to understand. It's too easy to "do something bad and feel good", basically because you've been told you're bad unless you stop being yourself. But also, there's nothing wrong with being delicate and wearing your heart on your sleeve. Reputation wasn't a failure, selling 2 million copies in the first week, but it definitely wasn't a success based on Swift's standards (although it should be noted that it was a huge hit, considering the state of the music industry in 2017) and I still see it being referred to as "Taylor's dark age". 


But what saved Swift's album was something as uncommon for artists in this century as hit music videos: a really big world tour. It shows how you can overcome what people expect to succeed and create your own meaning of success that's not based on heteronormative ideals.


West Side Story (2021)


West Side Story é um dos filmes mais icônicos de todos os tempos. São várias cenas que vivem no imaginário coletivo há mais ou menos 60 anos. Está longe de ser perfeito, com algumas das falhas mais destacadas sendo a atuação do casal principal (especialmente a americaníssima Natalie Wood como a porto-riquenha Maria) e a utilização de atores brancos fazendo quase um blackface para fingirem ser latinos. Além disso, West Side Story é um musicalzão, daqueles que se perderam no tempo, daqueles que querem fazer você acreditar que uma gangue de bailarinos poderiam ser assustadores. Acho que também se encaixa no contexto, já que na época as pessoas iam ver espetáculos desse tipo com uma mente mais aberta, pois o Governo dos EUA investia fortemente em produções culturais. Hoje, o balé e musicais só são aceitos se forem super dosados e ainda podem ser considerados "bregas" (a adaptação de musicais como Cats e Dear Evan Hansen também não ajudam).

Mas a verdade é que eu amo esse musical. É tudo muito lindo, a música é incrível e é simplesmente icônico. Lógico que quando eu ouvi que iria sair um remake, fiquei apavorado. A direção é do Steven Spielberg, o que eu devo imaginar que é como um ato de despedida dele. O diretor sempre citou esse como um dos filmes mais importantes para a formação dele como cineasta. A verdade é que o remake/adaptação é bem parecida com o original, "consertando" alguns pontos mencionados mas se mantendo fiel ao texto.

Alguns dos defeitos que eu acredito que o remake traz consigo é um pouco da "modernização" dos personagens. Os Jets sempre foram canalhas, mas na versão de 61 eles eram mais simpáticos, o que fazia com que você se divertisse com eles em músicas como "Jet" e "Officer Krupke". Na última versão, eles estão mais sombrios. Talvez esse seja o objetivo, mas eu acho dificultou um pouco aquela vontade que você tem de se tornar um Jet. Esse mesmo traço é percebido no Tony. Então, o pessoal não gosta muito do ator que interpretou o Tony na versão original. Mas existe algo no otimismo bobo dele, na excitação incomum que fazia você querer torcer por um final feliz. Na versão mais recente, o Tony de Ansel Elgort é mais bad boy mesmo. Ele obviamente tem uma personalidade mais "deprimida", como se estivesse passando por uma crise de consciência. Esse é o objetivo da direção, mas entendam como é difícil você se animar com músicas como "Something's Comming" e "Maria" quando a pessoa que está cantando parece estar tentando se convencer que está sendo otimista (e o Ansel é um bom ator, mas ele ainda não tá "lá"). 

A modernização do filme também segue em outras cenas, como a adaptação de America, que ocorre no primeiro filme em só cenário, como num palco de teatro, aqui vira um passeio dos personagens pelo bairro latino. Não fica ruim, só é estranho para quem está acostumado. Eu diria que as únicas cenas que perdem um pouco da magia é a transição para a cena do baile e o primeiro encontro entre Tony e Maria, no qual continham elementos lúdicos para ilustrar o amor a primeira vista. Na versão mais recente, essas cenas são mostradas de forma normal, o que é meio sem graça, sinceramente. Outra música que perde um pouco da graça (e essa, para mim, é uma ofensa) é a versão quinteto de "Tonight". Eu juro, a primeira vez que ouvi ela no filme quase tive um orgasmo de tão boaa que era. Em 2021, essa música perdeu um pouco da aura operística e grandiosa dela, o que eu acho um defeito porque ela marca a transição do musical para virar uma tragédia.

Algumas cenas que melhoram na versão mais recente é adaptação de "Cool", a briga que resulta na morte de Bernardo e Riff, e em geral, pelo menos ver personagens latinos serem interpretados por atores latinos. Acho que duas mudanças também merecem destaque: existe um personagem no original, chamado "anybodys", que basicamente é uma garota que tenta ser um dos Jets. Se ela é uma lésbica ou um homem trans, isso nunca é mencionado (até porque estamos em 1961), mas eu sempre havia entendido que era uma mulher que simplesmente não queria ser feminina ou como as outras, tanto que eu achava que quando ela era aceita no final do filme pelo Ice, era sugerido que eles iam ficar juntos. Na adaptação desse ano, eles teriam que mudar esse personagem com certeza, então deixaram mais explicito que se trata de um homem trans. Outra mudança marcante foi tirar o personagem Doc e colocar sua esposa no lugar, que é ninguém mais e ninguém menos que Rita Moreno, a Anitta original. As duas alterações foram feita por conta de contexto mesmo, mas acredito que beneficiaram a obra.

West Side Story é sobre como o amor pode ser uma flor que brota no asfalto de uma sociedade marcada pelo preconceito e a luta pelo poder, mas que, assim como a flor, ela será inevitavelmente esmagada pela brutos passos das pessoas que compõem essa sociedade. Críticos têm dito que a adaptação é melhor do que o original, mas a versão original sempre viverá no meu coração. O mais triste do remake é que já estava destinado a não ser tão importante quanto o original, nem atrair multidões e encantar crianças com o maravilhoso poder dos musicais e da dança. Mas como uma boa obra musical, ela certamente entra como um destaque de 2021.

Promising Young Woman, 2020

Finalmente assisti o "Promising Young Woman" (me recuso a dizer o título traduzido de forma totalmente equivocada), um longa de 20...