His Girl Friday era para ser a segunda adaptação cinematográfica da peça teatral The Front Page, mantendo a fieldade à primeira. No entanto, em um momento de inspiração, o genial Howard Hawks, diretor do filme, decidiu transformar Hildy Johnson em mulher, resultando na versão mais famosa e uma das mais celebradas comédias da história do cinema.
Hildy Johnson (Rosalind Russel) é uma mulher que, depois de anos trabalhando no The Morning Post, decide largar o jornalismo e se casar com Bruce Baldwin (Ralph Bellamy), um pacato vendedor de pólices. Ela vai à sede do jornal para dizer a Walter Burns (Cary Grant), seu ex-chefe e ex-marido, que não irá voltar ao trabalho, após uma lua de mel desastrosa. Mas Walter não pretende deixa-lá ir, insistindo para que ela escreva a matéria sobre Earl Williams (Jonh Qualen), um presidiário que matou um policial negro fazendo com que parecesse um crime de ódio mas que envolve interesses políticos. Ele sabe que se ela provar do gostinho de ser repórter mais uma vez, não seria capaz de largar o jornal.
Cary Grant já era um astro das comédias antes do filme. Aliás, neste mesmo ano, ele estrelou junto com Katharine Hepburn e James Stewart outro clássico da comédia, Núpcias de Escândalo/The Philadelphia Story. Narcisista, arrogante e charmoso, Walter é o protótipo de um canalha que não mede esforços para conseguir o que quer. Neste caso, uma matéria sensacionalista que choque os leitores. Algumas atitudes são capazes de transformá-lo em vilão, até chantageia imigrantes, mas é impossível resistir com a maravilhosa interpretação de Grant, um mestre desse tipo de personagem. Rosalind Russel faz o par perfeito de Walter, ela dá uma das melhores interpretações da história da comédia. Foi uma tremenda injustiça ela não ter sido indicada ao óscar daquele ano.Russel já tinha aparecido em alguns filmes da MGM mas foi seu papel em As Mulheres(1939) que a tornou famosa como comediante, sem contar que o filme tem estrelas como Joan Crawford, Norma Shearer,Joan Fontaine,Paulette Godard, entre outras grandes atrizes da Era de Ouro. As interpretações dessa dupla mostra a confusão na cabeça dos jornalistas,já que parece que as únicas pessoas que se comportam como gente normal são os “humanos”. Mas no fim eles percebem que não podem viver sem esse desespero, berros, gritos e correria e é isso que faz Walter pensar que pode fazer Hildy ficar,ele nem precisa ficar com ela,basta saber que ela vai ser um dos “homens da imprensa” de novo que ele sabe que ela nunca iria deixar esse trabalho, assim com todos os outros jornalistas.
Jejum de Amor é uma das comédias mais histéricas de todos os tempos. Os personagens estão quase sempre gritando e os diálogos parecem se “atropelarem” tanto que um minuto do filme pode parecer dez de tanta informação que recebemos. Por isso ficamos surpresos que o filme só tem 1h e 28m de duração que mais parecem três horas. As “screwball comedies” não são conhecidas pelo seus finais já que são sempre clichês, mas sim pelo desenvolvimento da história, sempre originais. É esse tipo de maluquice que falta nas comédias românticas de hoje em dia, originalidade.
Quando acaba, nós ficamos cansados pelo tanto de coisa que aconteceu (algumas vezes,o filme beira ao humor negro) mas mesmo assim, ficamos em êxtase pelo ritmo alucinante do filme que nem ao menos nos deixa descansar, sempre pensando em qualquer uma das cenas do filme, já que todas são engraçadas. Mas não é difícil compreender a razão de Jejum de Amor ser considerada uma das melhores comédias de todos os tempos. É inteligente, ágil e EXTREMAMENTE divertido.

