quinta-feira, 26 de maio de 2016

Musa da semana: Rosalind Russell


Catherine Rosalind Russell foi uma grande atriz do cinema nascida em 1907 e morreu em 1976. Muito mais conhecida pelo seu timing cômico que por sua beleza (algo que viria a acontecer com Lucille Ball mais tarde), Russel fez milhares de filmes por mais ou menos quarenta anos, de gêneros muito variados. Mas, foi na comédia que ela encontrou o sucesso e talvez por isso seja tão subestimada.


Ela foi para a American Academy of Dramatic Arts dizendo para sua mãe que queria apenas ser professora de atuação. Ela continuou no teatro até assinar seu primeiro contrato em Hollwood com a Universal, um estúdio que já havia feito muito sucesso mas que agora estava decaindo em produções de terror. Foi quando a MGM, a Deusa de todos os estúdios, mostrou interesse nela, ela soube que tinha que sair da Universal. Marcou um encontro com o chefe Carl Laemmle Jr. (filho do fundador da Universal), onde apareceu terrivelmente feia, com o cabelo penteado pra baixo e roupas desajustadas. Como um passe de mágica, ela estava na MGM.  

Rosalind Russell em Esposa Emprestada (1940)
O seu primeiro trabalho seria em um dos filmes que a grande dupla William Powell e Myrna Loy fizeram juntos. Chantagem (1934) fez muito sucesso e Russel chamou a atenção da crítica. No mesmo ano ela atuou na aclamada comédia romântica estrelada por Joan Crawford e Clark Gable, Quando o Diabo Atiça (1934). Apesar de outros papéis decentes , ela começou a achar que era uma atriz de suporte, como se ela atuasse em filmes com as atrizes mais prestigiadas e, se elas tivessem algum problema, ela teria que substitui-las. Apesar disso, o estúdio começou a valorizar a atriz e começou a produzir filmes onde ela seria a protagonista.

Jane Darwell, John Boles e Rosalind Russell em Mulher sem Alma (1936). Primeiro filme que tinha ela como protagonista.
Apesar de achar que todo mundo iria odiá-la como protagonista do filme Mulher sem Alma, ela recebeu comentários positivos como a esposa manipuladora de Craig (John Boles). Mesmo assim, não foi o suficiente para alça-la ao topo. O filme não acabou com a sua imagem de "Lady", cementada por seus primeiros papéis e passou três anos lutando contra isso. Mas foi em 1939, que ela protagonizou o filme que mudaria sua carreira, Um Susto por Minuto.

Russell e Robert Montgomery em foto promocional de Um Susto por Minuto (1939)
O filme (uma espécie de thriller cômico) é uma sequência de O Duplo Enigma (1938) e acabou se transformando em um sucesso de critica e bilheteria. Apesar disso, o filme não conseguiu ultrapassar a sequência de A Ceia dos Acusados, e uma questão surgiu: Russell iria ficar sempre na sombra de Myrna Loy? Mesmo assim, o filme ajudou ela à achar o caminho para o sucesso, a comédia. E isso foi comprovado pelo filme que viria logo a seguir...

Pôster de As Mulheres (1939) 
Um dos melhores e mais bem sucedidos filmes desse ano consagrado por obras como ...E o Vento Levou A Mulher faz o HomemAs Mulheres não só mostrou Russell no auge de sua comicidade como a colocou ao lado da duas das maiores atrizes da época, Joan Crawford e Norma Shearer. Primeiramente George Cukor não a queria para o filme mas ela o convenceu com vários testes que a mostravam nas cenas de ataque em estilos diferentes para provar sua versatilidade. Sua atuação foi aclamada pelos críticos e pelo público mas, infelizmente, ela não recebeu uma nomeação ao Óscar como melhor atriz coadjuvante. Mesmo assim, acabou consolidando sua fama como uma atriz de comédias, fato que viria a ser provado em 1940, ano em que fez comédias com estrelas e de sucesso absoluto.

James Stewart e Russell no set de A Vida é uma Comédia (1940)
A Vida é uma Comédia é uma comédia dramática estrelada pela nova sensação da época, James Stewart que, assim como Russell, estava no seu auge. No ano seguinte ele iria ganhar seu primeiro e único Óscar com Núpcias de Escândalo (1940). Já ela, atuou no mesmo ano em Isto é Amor ao lado de Melvyn Douglas e em Esposa Emprestada, como a mais famosa estrela do filme, com o público indo ver apenas por ela. Mas nesse mesmo ano, Russel estrelou o seu melhor filme com o seu melhor desempenho, que é...

Pôster de Jejum de Amor (1940)
Jejum de Amor é nada menos que uma das melhores comédias já produzidas. Entrando na onda das screwball comedies (comédia maluca), o filme dirigido pelo grande Howard Hawks era para ser uma refilmagem de A Primeira Página (1931) que, por sua vez era baseado na peça de mesmo nome. Mas quando Hawks decidiu transformar o repórter Hildy Johnson em mulher, o filme acabou se tornando um clássico do subgênero e Russell e Cary Grant se tornaram um dos melhores casais de todos os tempos. Infelizmente, não só os dois mas também o filme em geral foi totalmente esnobado no Óscar (da pra ver que a pobrezinha não teve tanta sorte com premiações) mas em compensação, o filme aparece em várias listas (inclusiva a da Sight and Sound) como um dos melhores filmes de todos os tempos. Quem ri por último ri melhor não é mesmo?

Russel, Don Ameche e Kay Francis em Ciúme não é Pecado (1941)
Por algum motivo, apesar dos filmes de Russell terem sido bem menos memoráveis durante toda a década de 40, suas interpretações começaram a ganhar notoriedade em premiações. Foi indicada pela primeira vez a um Óscar em 1943 graças ao Solteiras às Soltas (1942), um de seus filmes mais bem sucedidos. À essa altura, suas comédias já faturavam mais de 1 milhão. Seu primeiro globo de ouro veio em 1947 com o filme Sacrifício de uma Vida (1946), um drama incomum em sua filmografia. Também foi indicada ao Óscar mas perdeu... de novo. Russell foi indicada quatro vezes ao Óscar de melhor atriz perdendo todas. A terceira veio com Conflitos de Paixões (1947), um drama que novamente, rendeu à ela o Globo de Ouro.

Pôster de A Mulher do Século (1958)
A quarta veio com um de seus filmes mais legendários, A Mulher do Século (1958). Meio drama, meio comédia, o filme conseguiu resgatar a popularidade da atriz que à muito tempo andava no ostracismo, atuando em comédias românticas sem tanto impacto como antes. Para se ter uma ideia, a atriz havia feito apenas seis filmes desde Conflitos...(1947), nenhum deles foram tão bem sucedidos. Por isso, ela decidiu voltar ao teatro e em 1953 ganhou o Tony de Melhor Atriz em um Musical por Wonderful Town. E em 1957, ela encarnou Auntie Mame na peça de mesmo nome que a rendeu uma nomeação ao Tony e originou este filme, que acabou se tornando o maior sucesso do ano. Mais uma vez ela ganharia o Globo de Ouro, além do Laurel Award por melhor interpretação cômica feminina e uma nomeação ao BAFTA.

Pôster de Gypsy: Em Busca de um Sonho (1962)
O último grande sucesso da carreira de Russell foi Gypsy: Em Busca de um Sonho (1962), um musical estrelado por ela e Nathalie Wood baseado na peça de mesmo nome. Ela ganharia seu último Globo de Ouro por este filme. Ela fez mais cinco filmes antes de morrer em 28 de novembro de 1976. O mais famoso deles foi Anjos Rebeldes (1966), um filme muito divertido em que ela comanda uma escola de católica feminina, lugar onde duas garotas estão fazendo a maior bagunça.


Rosalind Russell não se enquadra em nenhuma lista de melhores atrizes que eu tenha visto. Mas é importante conhecermos sua filmografia que está repleta de clássicos e atuações memoráveis. Por isso, ela é a primeira Diva da Semana.


MELHORES GIFS:





              TCM: Rosalind Russell


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